Processando...

Prosa Poética, no programa Tarde Ponto Com, por Mary Arantes: 'Feira, bares e brechós

A cidade nunca teve tantas feira e bazares como agora. Sou fã deles e, na medida do possível, dou uma passada em cada evento. Se abre às 10, chego na hora, pois como diz o ditado: quem vai na frente bebe água limpa! Se for brechó então, tem gente que chega cedo, madruga feito fila de INPS.

Como aconteceu no bazar beneficente da Fundamigo, no qual trabalho como voluntária. Meu cargo lá é ser pidona, aquela que sai por aí pedindo tudo. Peço mesmo. Parto do princípio de que não estou pedindo pra mim, o que torna tudo mais fácil, e ciente de que o máximo que posso ganhar é um não, o que quase nunca acontece. Quando trilhamos o caminho do voluntariado descobrimos que a bondade humana é sempre maior que a maldade. Infelizmente notícia boa não vende jornal, e a maldade acaba sobressaindo. Mas temos sim muito a agradecer por tudo nessa vida. Quando vejo o galpão do Di.Vi.No Brechó pronto, pra abrir as portas, repleto de roupas, sapatos e todo tipo de doações, a maioria usadas, sempre me emociono, ao pensar que tudo aquilo era excesso na casa de alguém ou estava adormecido em alguma gaveta. E o que era velho pra você, passa a ser luxo para o outro. O que não cabe mais em você, serve em mim.

A cultura do brechó por aqui, ainda é cercada de preconceito, mas, pouco a pouco, vamos passando essa proposta do reutilizar e da compra consciente. Do menos descarte. Tenho roupas belíssimas compradas em brechós. Quanto a história de que o morto era maior, não me preocupo com isto. Nada que uma boa lavagem não remova.

A Feira Nacional do Artesanato, acontece na cidade até domingo e com ela, a mostra de inúmeros artesãos de todo canto do país. Vá visitá-la, compre histórias contadas por quem faz, o tempo do fazer, de onde foi que veio o toco daquela escultura que você gostou. Segundo Tânia, diretora da feira, a maioria dos expositores hoje têm uma formação profissional e, com a queda da economia e a perda do emprego, essas pessoas passaram a investir em suas habilidades. Ganhamos todos, talvez esse artesão ganhe menos que o salário que tinha, mas certamente é mais feliz fazendo o que faz, pois quem faz o que ama, não trabalha.

Cássia Duarte, galerista e mulher visionária, me disse que o termo artesanato, deveria ser mudado. Como curadora de eventos de arte na cidade, concordo com ela, há muito ele deixou de ser um simples artesanato e ganhou nova plumagem. Subiu de conceito.
Não troque um produto original, feito por um mestre, por um chinguiligue, demostre seu apreço e compre de quem faz.