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INSTITUTO CENTRO DE CAPACITAÇÃO E APOIO AO EMPREENDEDOR
Data: 08 de Março de 2017

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A força das lideranças femininas e a promoção de ações práticas de apoio às empreendedoras

*Empreendedoras durante a 27ª edição da Feira Nacional de Artesanato (FNA)

Definitivamente, 2016 foi um ano piloto para o empreendedorismo feminino. Não por ser uma atividade nova – já são mais de 10 milhões de brasileiras comandando seus próprios negócios, 49% de todos os empreendedores -, mas porque vários atores intensificaram esforços em impulsionar empreendedoras.

É o caso do Centro CAPE que, desde 2005, busca conhecer mais profundamente os artesãos que participam da Feira Nacional de Artesanato (FNA). Neste cenário, onde o incentivo ao desenvolvimento econômico está diretamente ligado ao empreendedorismo, sete em cada dez artesãos são mulheres e representam mais de 70% da mão de obra artesanal presente na FNA segundo pesquisa divulgada pela Vox Populi - esses dados demonstram que o gênero feminino não deve ser apenas um ponto de análise, mas de imersão na atenção das políticas públicas a serem desenvolvidas para melhor posicionamento na sociedade brasileira.

Da mesma forma, os dados obtidos pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM), desde o ano 2000, demonstram a crescente participação da mulher brasileira no espaço empreendedor e de políticas públicas voltadas para essa clientela.

 

RECONHECIMENTO

Convém lembrar que, segundo dados da ONU, as mulheres, quando geradoras de renda, investem prioritariamente em educação e saúde para a própria família. Esse tipo de investimento repercute diretamente na evolução econômica e social do país. Em reconhecimento e incentivo à contribuição das mulheres na economia, diversas ações têm surgido: a criação da ONU Mulheres no ano de 2010 que tem como objetivo acelerar o progresso nas conquistas das mulheres em todo o mundo. Neste sentido, foi lançado, no âmbito da ONU Mulheres, a iniciativa dos “7 Princípios de Empoderamento das Mulheres”, onde empresas se comprometem a reconhecer a força das lideranças femininas e a promover ações práticas de apoio a essas empreendedoras.

No Brasil, o governo acaba de anunciar uma linha de crédito de 30 bilhões com juros reduzidos para estimular o empreendedorismo e ajudar micro e pequenas empresas de todo o país. O BNDES publicou que adotará um conjunto de medidas para simplificar o acesso ao crédito e os bancos tem criado linhas exclusivas para fomentar o empreendedorismo feminino.

Organizações de fomento ao empreendedorismo feminino também têm desempenhado um papel central nesse cenário e grandes empresas de tecnologia estão criando programas específicos para incentivar o empreendedorismo feminino de alto impacto.

 

HISTÓRIAS DE SUCESSO

Eliane Borges do Nascimento, a Lili do Artesanato, é uma das representantes do empreendedorismo feminino. Filha de colonos e seringueiros, desenvolveu, em meados da década de 80, uma técnica com fibras de açaí para utilizar no acabamento de quadros, mandalas e arranjos florais de mesa e parede.

Hoje, em seu atelier-casa, onde divide bancadas na varanda dos fundos e um cafezinho feito na hora na cozinha improvisada na sala da frente para receber os amigos, desenvolve técnicas adquiridas em cursos nas comunidades e cooperativas de artesanato entre fibras de açaí, papel reciclado, papel de fibra, dentre outros.

Fundadora de vários grupos de artesanato em feiras, associações e cooperativas como a Casa do Artesão e Cooperativa Açaí, ela hoje é afiliada e expõe na Feira do Sol do Madeira. Lili é artesã experiente e já participou de grandes feiras em todo o Brasil, principalmente na Mãos de Minas - projeto que, em parceria com o Centro CAPE, promove o desenvolvimento e fortalecimento do setor artesanal. Fala que, o que faz a diferença para vender bem é contar histórias e tratar bem os clientes: 

“O cliente quer saber a sua história, de onde você veio e o que você faz. Para vender mais, tem que contar primeiro a origem da peça de artesanato, do que ele é feito, qual é a semente e como ela é preparada e só aí você diz o preço. O cliente compra. Se o artesão não tiver conhecimento de seu produto, o cliente desconfia e não leva.”